Biografia de Fernando Henrique Cardoso

Conhecido popularmente como FHC, Fernando Henrique Cardoso tem sua história intimamente interligada ao desenvolvimento político e econômico brasileiro, bem como à redemocratização pela qual o país passou após a queda do regime militar.

Ainda atuante nas áreas política e sociológica, o brasileiro construiu um importante legado intelectual pelo qual é rememorado com frequência.

Conheça a seguir a história de FHC, suas principais conquistas políticas e econômicas e suas obras.

Biografia de Fernando Henrique Cardoso

Primeiros anos

Fernando Henrique Cardoso nasceu na capital carioca em 18 de junho de 1931. Primogênito de Leônidas Cardoso e Neyde Silva Cardoso, o brasileiro.

Iniciou seus estudos na cidade do Rio de Janeiro, mudando-se junto à família para a cidade de São Paulo em 1940, quando tinha 9 anos de idade. A mudança da família se deu em razão da transferência de seu pai, que era militar, para a capital paulista.

Ingresso na USP, envolvimento universitário e casamento

Dando continuidade aos estudos, FHC ingressou no curso de Ciências Sociais na conceituada Universidade de São Paulo, a USP, formando-se em 1952.

Neste mesmo ano o brasileiro passou a ministrar aulas na Faculdade de Economia da USP, enquanto dava continuidade à sua especialização em sociologia. 

No ano seguinte, 1953, Fernando Henrique se casa com a antropóloga Ruth Vilaça Correia Leite. O casamento durou até a morte da esposa em 2008. O casal teve três filhos.

Em 1961 Fernando Henrique Cardoso concluiu seu doutorado em Ciências Sociais. Sua proximidade à USP é tamanha que FHC sempre participou dos conselhos estudantis, inclusive sendo eleito como representante dos ex-alunos em 1954.

Em 1963 Fernando Henrique se tornou professor de Ciências Políticas na USP, após ter concluído sua especialização na França.

Regime militar, exílio e início da carreira política

Em razão do início do período militar e da sua proximidade aos estudos marxistas, FHC e auto-exilou no Chile em 1964 temendo sua prisão. Seu exílio chileno durou até 1967, quando se mudou para Paris para lecionar na Universidade de Paris X.

Durante o exílio o estudioso brasileiro também lecionou aulas nas universidades de Stanford e Berkeley, nos Estados Unidos e em Cambridge, na Inglaterra.

Seu retorno ao Brasil ocorreu em 1968, quando continuou lecionando em território brasileiro e estrangeiro. A partir deste ano FHC começaria suas alianças políticas, atuando nos bastidores.

Em 1978 se lançou candidato ao senado de São Paulo pelo MDB, partido auxiliado por Fernando Henrique quando da criação de sua plataforma eleitoral.

A candidatura do estudioso foi endossada por diversos setores, incluindo representantes da classe artística, como o escritor, compositor e cantor Chico Buarque, e da classe política, como Lula.

Fernando Henrique foi eleito como senador suplente, assumindo o mandato como titular em 1983.

Abertura política e novos horizontes

Fernando Henrique Cardoso é considerado uma importante peça na abertura política e redemocratização brasileira.

Participou ativamente das articulações para a transição entre o regime militar e a democracia, tendo prestígio entre os principais líderes políticos da época, Tancredo Neves e Ulisses Guimarães, além de trânsito livre entre os militares.

Com seu auxílio a retomada da democracia brasileira ocorreu de maneira pacífica. Além disso FHC foi um dos principais fomentadores das campanhas “Diretas Já!”, importante movimento político brasileiro.

Em 1985 Fernando Henrique se licenciou do senado a fim de concorrer à prefeitura da capital paulista. Esse episódio ficou famoso por se atribuir a derrota de FHC à recusa dele em responder objetivamente se acreditava ou não em Deus.

Já em 1988 o político tomou novos caminhos e participou da criação de um novo partido, o Partido Social da Democracia (PSDB), do qual é filiado até hoje. 

Neste mesmo ano ele compôs a assembleia constituinte responsável pelo desenvolvimento da Constituição Federal de 1988.

Plano Real e a ascensão à Presidência

Em 1992, após o impeachment do presidente Fernando Collor, o até então vice-presidente Itamar Franco o sucedeu e nomeou Fernando Henrique Cardoso como Ministro das Relações Exteriores.

No ano seguinte FHC foi nomeado Ministro da Fazenda, cargo de maior visibilidade à época dentro do governo, visto que o país era arrasado por uma violenta crise econômica na qual a inflação chegou a 2.400%.

O então ministro tucano reuniu uma equipe de economistas e começou a traçar o que viria a ser conhecido como Plano Real, responsável pela criação da moeda que ainda hoje gira no país.

Os resultados do plano de três etapas, foram imediatos. A inflação foi reduzida drasticamente e controlada, sendo entre julho e novembro de 1994 de 2,93%. Além disto, o poder de compra e diminui a população em situação de carência.

A elaboração do Plano Real e a visibilidade dada ao político após sua atuação como Ministro da Fazenda foram decisivas para seu lançamento como candidato à Presidência da República na eleição de 1994.

Fernando Henrique Cardoso, o 34º Presidente do Brasil

A campanha presidencial se iniciou próximo ao lançamento da moeda Real, que ocorreu em junho de 1994, sendo que o afastamento de FHC se deu pouco tempo antes a isto, sendo público que ele era o principal autor do plano.

Com a crescente aceitação popular ao Plano Real, FHC foi crescendo nas pesquisas, que até então indicavam Lula como preferido dos brasileiros na disputa. O tucano foi eleito em 3 de outubro de 1994 com 54,28% dos votos. 

O governo de FHC teve início em janeiro de 1995.

Em 1998 Fernando Henrique Cardoso foi novamente eleito à presidência, vencendo ainda em primeiro turno com 53,06% dos votos. Seu segundo mandato iniciava durante uma crise econômica mundial que levou à desvalorização do real.

Além de ser o primeiro presidente após a redemocratização a ser reeleito, FHC também possui até hoje o mérito de ser o único presidente reeleito em primeiro turno.

Hoje o ex-presidente ainda é ativo principalmente nas áreas acadêmicas, dando diversas palestras pelo Brasil e pelo mundo. Escreve colunas em jornais como O Estado de S. Paulo e O Globo e se manifesta sempre favoravelmente à democracia.

Pontos mais importantes do Governo FHC

O primeiro mandato do tucano foi marcado pela busca na consolidação da estabilidade dos preços e consequente controle da inflação com a supervalorização do Real.

Outros atos que marcaram seus quatro primeiros anos na presidência foram a criação e o aumento de impostos, o corte de gastos públicos, incentivos a investidores, abertura e facilitações para empresas estrangeiras operarem no país.

O segundo mandato, por sua vez, é lembrado pelo lançamento do tripé macroeconômico, pautado em política de câmbio flutuante, metas fiscais e metas de inflação.

A terceirização de serviços públicos e o sancionamento da Lei de Responsabilidade Fiscal também foram importantes. Além disto, o governo de FHC apoiou a criação do estado da Palestina e aplicou de forma plena a diplomacia presidencial.

O governo de FHC terminou com recorde nas taxas de desemprego, queda do PIB e aumento da desigualdade de renda.

Obras de Fernando Henrique Cardoso

Além de atuar na política e na academia, FHC também é conhecido por suas obras literárias. O ex-presidente é, inclusive, membro da Academia Brasileira de Letras desde o ano de 2013.

Dentre suas obras mais importantes estão:

  • A Arte da Política – a História que Vivi (2006);
  • Cartas a um Jovem Político (2006);
  • Carta aos Brasileiros (2006);
  • A Soma e o Resto: um Olhar Sobre a Vida aos 80 Anos (2011);
  • O Improvável Presidente do Brasil (2013);

Apesar de Fernando Henrique jamais ter se candidatado a qualquer cargo público desde sua saída da presidência, continua sendo um político e intelectual extremamente respeitado nestes círculos e cujas opiniões sempre são ouvidas.

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