Biografia de Carlota Joaquina de Bourbon

Carlota Joaquina Teresa Cayetana ou como a conhecemos, Carlota Joaquina de Bourbon, nasceu em Aranjuez, uma pequena cidade da Espanha, em 25 de abril de 1775, falecendo em Queluz, em 7 de janeiro de 1830.

Foi uma infanta (título dado aos nobres, está abaixo do título de príncipe) espanhola. Foi esposa do rei D. João VI e consequentemente rainha não só de Portugal como também do Brasil, Algarves e mais tarde, do Reino de Portugal e Algarves entre o período de 1816 a 1826.

Carlota Joaquina já nasceu com o título de infanta do Reino da Espanha, era a primogênita do casamento entre o rei D. Carlos IV da Espanha junto com sua esposa Maria Luísa de Parma, que também era princesa. 

Infância de Carlota Joaquina de Bourbon

A educação de Carlota Joaquina foi bastante rígida e sobre os moldes do catolicismo, tendo como áreas de estudos além da religião, também a pintura, a geografia e a quitação, sendo este, o esporte favorito de Carlota.

Mesmo com toda rigidez, clima reservado e exclusivo típico da realeza que a cerca em seu aprendizado, ela era considerada uma infanta brincalhona e bem agitada.

Seu avô, era um homem com personalidade mais fechada e passava mais tempo com a família do que pensando em festividades e animações, com isso, ele deixou a mãe de Carlota Joaquina de Bourbon como responsável pelas animações da corte. 

Com ela à frente das festas, que eram luxuosas e esnobes, a moral não era um ponto forte, pois com o tempo a figura de sua mãe passou a ser lembrada como uma mulher devassa que adulterava com outros homens.

Muitos acreditam que por Carlota está em meio a esse tipo de exposição, foi atingida e assim em sua fase como rainha cometeu os mesmos erros promíscuos de sua mãe.

Casamento com D. João VI

Ao chegar o tempo de ser avaliada para ser noiva de D. João de Bragança de Portugal, os embaixadores portugueses a submeteram a uma bateria de testes para comprovar os talentos da princesa, que com excelência cumpriu todos.

Como era de se esperar, virou noiva de D. João de Bragança e veio a casar-se quando tinha ainda dez anos de idade, enquanto D. João tinha dezoito, o casamento foi no ano de 1785.

O casamento era uma tentativa de estreitar ainda mais os laços entre os dois países. Se mudou para Lisboa no mesmo ano junto com uma comitiva exclusiva e bem selecionada.

Seu casamento com D. João foi oficializado no dia 9 de junho, por conta da sua idade, Carlota não pode consumar o casamento, então ela teve que esperar por um tempo até que estivesse apta a consumar e assim também a gerar filhos.

Vida em Portugal

Muito diferente do ambiente onde foi criada Carlota Joaquina de Bourbon se viu em um local onde não tinham grandes festas e animações, isso por conta da igreja católica que impedia bailes, dramatizações e peças entre outras atividades que envolviam agitações.

Isso fazia com que a corte fosse envolvida em um mar de tédio, o que trazia alegria era a presença alegre e entusiasta de Carlota Joaquina. 

Mesmo vivendo em um local com muito impedimentos, Carlota Joaquina possuía uma boa convivência com D. Maria I de Portugal, que era responsável pelo reino, algo comprovado ao encontrar cartas onde as duas mantinham um tratamento harmonioso. 

Carlota Joaquina no Brasil

Em meio ao clima de invasão por conta de Napoleão, a família portuguesa se muda para o Brasil, chegando em Salvador e depois no Rio de Janeiro. Carlota fica no bairro de Bota Fogo e só se encontrava com D. João VI quando realmente era necessário.

Filhos de Carlota Joaquina

Até onde sabemos, Carlota Joaquina de Bourbon teve nove filhos, contando com homens e mulheres. A seguir falaremos sobre cada um deles.

  • Pedro I do Brasil

Nascido em 12 de outubro de 1798 – mais conhecido pelo seu apelidado de “o Libertador” ou “o Rei Soldado”. Pedro I que mais tarde passou a ser Dom Pedro I, foi imperador do Brasil e teve grande destaque enquanto governava. Pedro I foi fruto do seu casamento com o então D. João, Príncipe do Brasil.

  • Miguel I

Nascido em Queluz, 26 de outubro de 1802, mais conhecido como “o Absolutista” ou “o Tradicionalista”. Governou Portugal e Algarves entre os anos de 1828 e 1834. Miguel I foi o terceiro filho de Carlota Joaquina com rei o D. João VI de Portugal. Foi o irmão mais novo de Pedro I.

  • Maria Isabel de Bragança

Nascida em Queluz, 19 de maio de 1797, foi a segunda menina, que Carlota Joaquina teve com o rei João VI de Portugal.  Maria Isabel era a irmã mais velha do de Pedro I. Maria casou-se com Fernando VII rei da Espanha, que além de seu marido também era seu tio. Se destacava por ser uma entusiasta das artes.

  • Maria Francisca de Bragança

Nascida em Queluz, 22 de abril de 1800 foi filha da rainha Carlota Joaquina da Espanha com o rei João VI de Portugal. Veio para o Brasil quando a França invadiu Portugal pela primeira vez no ano de 1807.

  • Maria Teresa de Bragança

Nascida em Lisboa, em 29 de abril de 1793. Foi a primogênita do casamento entre Carlota Joaquina e D. João VI de Portugal. Famosa por ser bastante conservadora, Maria Teresa se aliou a seu irmão D. Miguel em sua tentativa de conseguir conquistar a coroa de Portugal no período da guerra civil portuguesa.

  • Isabel Maria de Bragança 

Nascida em Lisboa, em 4 de julho de 1801. Foi regente de Portugal por um período de quase dois anos. Foi a quarta filha mulher de Carlota Joaquina com D. João VI. Além de seu destaque como regente, também se dedicou a sua fé católica em seus últimos anos de vida.

  • Ana de Jesus Maria de Bragança

Também conhecida como a 1ª marquesa de Loulé. Nasceu em Mafra, 23 de outubro de 1806, foi caçula de D. Carlota Joaquina e de D. João VI.

Porém existem muitos relatos históricos que se referem a Ana Maria como sendo fruto de adultérios que Carlota Joaquina cometia. Se transferiu para o Brasil no famoso episódio conhecido coma “a transferência da corte portuguesa para o Brasil”.

  • Francisco António Pio de Bragança

Nasceu em Queluz, no Palácio Nacional em Março de 1795. Foi o primeiro filho de Carlota Joaquina e D João. Desde novo recebeu o título de príncipe da Beira, mas infelizmente morreu com apenas 6 anos de idade, foi sepultado em Queluz, no Palácio Nacional. Seu irmão D. Pedro de Alcântara herdou o trono em seu lugar.

América Espanhola

Mesma longe do seu país natal, Carlota sempre manteve contato com sua família na Espanha. Sabendo da prisão do seu irmão o rei D. Fernando VII, Carlota arquitetou tornar-se regente das então colônias espanholas existentes na América, motivo pelo qual mantinha contato com os governos de várias regiões como Peru e Prata, que eram vice-reinos.

Já com tudo se encaminhando para ela assumir a regência, aliou-se com o almirante Sydney Smith, que era adepto dos seus planos, sabendo disso D. João solicitou ao governo britânico que trocassem o almirante.

Continuou tentando conseguir apoio, porém não conseguiu na Espanha, nem na América, que apenas reconheciam a regência do rei Fernando VII mesmo estando preso. Isso pois fim ao plano de Carlota de se tornar regente.

Retorno a Portugal

A insatisfação com a permanência da realeza no Brasil, fez com que a população de Porto iniciasse uma série de manifestações que mais tarde resultaram na Revolução Liberal do Porto.

Eles exigiram que D. João VI e toda a corte voltasse para Portugal e assim que fosse respeitada a constituição pelas cortes.

Em meio a todo esse clima tenso que envolvia o império, D Pedro que estava no Brasil rompe os laços com Portugal com a proclamação da independência o Brasil em 7 de setembro de 1822.

Sabendo que voltaria para Portugal, Carlota Joaquina ficou feliz, pois ela desejava voltar para a Europa, porém, os conceitos políticos da Europa não eram mais os mesmos.

Chegando em Portugal, ela opta pela não assinatura da Constituição que limitaria os poderes e benefícios dos monarcas. Ela também tenta persuadir D. João Vi a fazer o mesmo, porém, sem sucesso.

Diante dessa situação, por meio do seu filho D. Miguel, ela tenta voltar ao poder. Ajudando-o na conspiração contra o seu pai, esse episódio ficou conhecido como Vilafrancada e Abrilada.

Morte de Carlota Joaquina

Em meio ao clima de conspiração e receoso que Carlota continuasse com seus planos, D. João VI a enviou à Quinta do Ramalho e, em seguida, a Queluz, ficando no Palácio. Carlota Joaquina ficou em Queluz até o dia em que veio a falecer.

Curiosidades

  • O nome Carlota era uma homenagem ao seu pai e também ao seu avô o rei Carlos III da Espanha, sendo Carlota a neta preferida de seu avô.
  • Carlota Joaquina possuía hábitos femininos mais liberais como: andar mais à vontade, envolvimento na política e opinião sobre os militares, tudo isso fazia com que ela fosse desaprovada por muitos homens, pois esses hábitos não eram comum às mulheres portuguesas da época.
  • Por conta desses hábitos, ela passou a ser alvo de muitos boatos maldosos, alguns partindo da duquesa de Abrantes, esposa de Junot, general da França que no futuro invadiria Portugal, a duquesa menosprezava Carlota e ainda dizia que ela era muito feia.
  • Carlota Joaquina de Bourbon geralmente é representada em obras, filmes, minisséries e peças teatrais como: O quinto dos infernos, Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, Marquesa de Santos, Império, Era uma vez uma história, Novo Mundo.
  • Além de ser considerada a imperatriz do Brasil, ela também recebeu honrarias como a de grã-mestra da Real Ordem da Rainha Santa Isabel e também de Dama Grã-Cruz dada pela Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
  • Carlota tinha preferência por seu filho D. Miguel em relação a seu filho D. Pedro.
  • Ainda permanece a Capela de Nossa Senhora da Piedade que fazia parte do palacete onde Carlota morava.

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